sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Fim


Houve um tempo em que eu não desejava morrer,
mas vê-la, por três vezes, atentar contra seu brilho
ascendeu em mim um sol fúnebre:
penso, todos os dias, em métodos de perecimento.

Em casa, ao acordar com as unhas enterradas nas palmas das mãos,
imagino todo fluído corporal vertendo, lentamente
embebedando colchas brancas e
travesseiros feitos de material da NASA
– eu sempre quis ir à Lua.

Aos passos rastejantes em direção ao banho, arquiteto um deslize esplêndido.
Uma perda de memória, um corte profundo.
De súbito. Quem sabe?
O que não quero, jamais, é morrer dormindo.
Isso impediria o final dos meus sonhos.

Saio de casa com a direção certeira,
imponho-me frente ao ônibus, que,
por sorte, estará em velocidade máxima, desfilando seus 76 passageiros.
Fecho os olhos e aguardo:
Aberta eu despejaria toda dor colecionada.

Confesso que houve um tempo em que eu não desejava morrer,
mas vê-la, por três dias, escurecer sua vida
fez nascer em mim uma Lua minguante:
então eu conto, todos os dias, a hora de te encontrar.


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